Dúvidas

Perguntas frequentes

Respostas curtas. Cada uma aponta para o capítulo onde o assunto é explicado com calma.

A ideia

Em uma frase, o que é este projeto?

Uma rede social onde a conta não revela quem você é, mas existe um registro verificável de que você é uma pessoa real — e esse registro só pode ser aberto por ordem judicial.

Por que não usar só um pseudônimo, como em fóruns?

Porque pseudônimo livre permite criar mil contas e desaparecer quando convém. Aqui, cada conta está ligada a um documento real — só que essa ligação fica trancada, e não pública. A diferença é entre “ninguém sabe quem é você” e “ninguém precisa saber quem é você, mas existe como descobrir com autorização”.

Não é a mesma coisa que aplicativos “anônimos” que já existem?

A maioria promete anonimato e não entrega: ou guarda tudo num servidor que pode ler, ou não tem qualquer mecanismo de responsabilização. O que muda aqui é a combinação: conteúdo cifrado, identidade verificada e possibilidade de responsabilizar sem expor todo mundo.

Se eu não confio no governo, por que confiaria no cartório?

Você não precisa confiar em um cartório específico: o cofre exige vários, e cada um valida a ordem por conta própria. Além disso, toda abertura deixa um recibo público. Confiança aqui é distribuída e auditável, não concentrada. Ver o capítulo de segurança.

Privacidade e justiça

A rede sabe meu endereço de IP?

Quem opera o provedor ao qual você se conecta vê o seu IP, como em qualquer serviço na internet. O que ele não vê é o conteúdo das suas mensagens privadas. Reduzir isso mais exigiria redes de anonimização, que trazem outros problemas — está fora do escopo do projeto hoje.

O provedor pode ler minhas mensagens?

Não. Elas são trancadas no seu aparelho e só o destinatário tem a chave. O provedor transporta um pacote que não consegue abrir. Ver o que o provedor vê.

Meu cartório sabe o que eu publico?

Não. O cartório guarda apenas o registro de identidade. Ele não recebe seus posts, suas mensagens nem seus vídeos.

A justiça pode me identificar? Como?

Sim, com ordem judicial. O caminho tem duas etapas: o primeiro cofre devolve um número interno, e só o segundo — o cartório — entrega nome e documento. Não existe caminho fora desse. Ver o passo a passo.

Todo mundo fica sabendo se eu for investigado?

Não. O recibo publicado não diz de quem se trata. Ele serve para provar que houve uma abertura, não para identificá-la. Ver o livro de recibos.

Minhas contas diferentes são ligadas?

Não. O cartório assina o comprovante sem saber qual conta ele autorizou, então nem ele consegue montar a lista. Uma ordem sobre uma conta não revela as outras.

E se vazar o banco de dados do cartório?

Vaza o registro de identidade de quem está naquele cartório — nome, documento, nascimento. Não vaza a ligação com as contas, porque essa ligação está no cofre, em outra instituição. É menos grave do que um vazamento único com tudo junto, mas continua sendo grave. Por isso o registro é mínimo e o acesso é restrito.

Vocês guardam minha localização?

O projeto não prevê coleta de localização. Quem opera o provedor vê o IP, que dá uma localização aproximada — como em qualquer conexão à internet.

Usando a rede

Preciso de CPF para usar?

Para criar conta, sim — é assim que a rede sabe que existe uma pessoa real por trás. Mas o CPF nunca aparece na sua conta, nos seus posts ou nas suas mensagens.

Estrangeiro pode usar?

Sim, com passaporte. O documento é registrado com o país emissor, e o cartório confere o documento físico ou digital.

Posso usar sem celular?

Sim. O aplicativo funciona no navegador. O celular ajuda na recuperação de conta e na confirmação de identidade, mas não é obrigatório para usar.

Perdi o celular. E agora?

Você usa a chave de recuperação — um código longo que deveria estar guardado em papel ou num gerenciador de senhas. Sem ela, a conta é perdida: não existe “recuperar por e-mail”, porque não existe ninguém com poder de entrar na sua conta. Entenda o risco.

Posso apagar um post?

Pode parar de distribuí-lo e pedir aos provedores que apaguem. Mas se alguém já copiou, a cópia continua existindo. Nenhum sistema distribuído consegue prometer apagamento total.

Posso ter mais de uma conta?

Sim, dentro de um limite definido pelo cartório. E elas não são ligadas entre si — é justamente o ponto.

Posso transferir minha conta para outra pessoa?

Sim, com aceite dos dois lados e registro no cartório. O histórico antigo continua atribuído à conta, não à nova pessoa — isso é deliberado, para não apagar a autoria de nada.

Crianças podem usar? Como?

Com conta restrita, criada ou autorizada por um responsável. Ela mostra publicamente que é de criança ou adolescente e tem privacidade máxima por padrão. Ver as restrições.

Como funcionam os comentários anônimos?

Quem publicou decide, post a post, se aceita comentário anônimo. O comentário continua assinado — o que muda é que o autor não aparece na tela. Testar a demonstração.

As chamadas são gravadas?

Não, por padrão. Gravar exige pedido dos organizadores, consentimento registrado, e o resultado vira conteúdo com autor identificado. Ver como funciona.

Dá para apagar o que eu publiquei?

Sim, e sem precisar justificar. O conteúdo sai do ar e os provedores apagam os arquivos. Mas o registro de que ele existiu permanece — sem o conteúdo — porque apagar tudo apagaria também a prova de autoria. E quem já baixou, baixou. Ver os dois caminhos.

Se eu apagar, os comentários dos outros somem?

Não. O autor controla o que ele publicou, não a conversa inteira. Só uma ordem judicial derruba em cascata respostas e cortes.

O que é um conselho de confiança?

Qualquer conta que você escolhe ler primeiro. Não existe cadastro nem aprovação: se você marca uma conta como conselho, os comentários dela aparecem antes para você, com destaque, em qualquer lugar. Quem escolhe é quem lê — o autor não tem controle. Testar a simulação.

A justiça pode entrar num grupo?

Pode determinar a admissão de uma conta para acompanhar a conversa. Mas isso dá acesso a partir da entrada: o histórico está cifrado com chaves que o novo membro não tem. Prometer acesso total seria mentira. Entender o limite.

A rede por baixo

Quem paga?

Quem opera os provedores. Pode ser você mesmo, um amigo, uma comunidade ou uma empresa que cobra. A rede não cobra nada e não sabe quanto foi pago.

Preciso rodar um provedor?

Não. Mas se puder, ajuda a rede a não depender de poucos. Seu navegador já ajuda um pouco, dentro de limites rígidos. Ver os limites.

O que acontece se ninguém guardar meu conteúdo?

Ele deixa de estar disponível — o endereço continua existindo, mas não há quem entregue. É o equivalente a um link quebrado. Por isso o sistema avisa quando uma conta está com poucas cópias.

Isso é blockchain?

Não. Não existe uma moeda nem um registro global compartilhado por consenso. O que existe são conteúdos assinados e um livro de recibos que qualquer um pode copiar.

É software livre?

A intenção é que sim: o código de cada parte fica em repositórios públicos, e o funcionamento é documentado para que qualquer pessoa possa auditar e rodar o seu próprio nó.

O projeto

Isso já existe e funciona?

Está em construção. Este site descreve o desenho pretendido, não um produto pronto. Algumas partes mudam antes de existir em código.

Quem está por trás?

Um projeto aberto, com documentação pública. As decisões de desenho ficam registradas para que possam ser contestadas.

Como contribuir?

Lendo, apontando contradições e participando das discussões de desenho. A documentação técnica completa fica no repositório principal do projeto.

Isto substitui o aconselhamento jurídico?

Não. Este site é material educativo. As regras brasileiras sobre anonimato, responsabilidade de plataformas e proteção de crianças mudaram recentemente, e qualquer uso real precisa de avaliação jurídica.